TratBem Blog – Tratbem

O seu canal de interação com o Tratbem

Cigarro de palha

cigarro de palha era uma forma menos comum de consumo e, até certo ponto, romantizada entre nós. O cigarro de palha era associado a caipiras do interiorque levavam uma vida calma. Tem-se a imagem deles sentados na porta de suas casas com seu cigarrinho na boca esperando o tempo passar. Mas a realidade é bem diferente. O trabalho no campo é muito duro, as condições de vida muito difíceis. Os ”caipiras” são inteligentes, práticos e têm pouco tempo para o lazer. E, já há muito tempo, compram cigarros industrializados, pois é difícil achar fumo de corda, é difícil ter um canivete a mão e tempo para picar o fumo. É difícil ter palha seca ao alcance. É muito mais fácil comprar o cigarro na venda. Nesse panorama, parecia que o palheiro estava destinado à extinção.

palheiro

Por não ser consumido em regiões urbanas há muitas décadas, pouco se divulgou sobre as consequências do consumo de cigarro de palha. Um estudo epidemiológico realizado no Brasil nos anos 80 mostrou que este tipo de cigarro estava fortemente associado a câncer de boca e de garganta. Pior que isso, enquanto aqueles que pararam de fumar cigarro industrializado por 10 anos passavam a ter risco semelhante ao dos não fumantes para o desenvolvimento do câncer; o mesmo não ocorria com o consumo de cigarro de palha. Após 10 anos sem fumar, o risco de ter câncer era ainda quatro vezes maior. Mas isso não foi levado em conta mesmo nas bem sucedidas campanhas antitabaco. O velho cigarro de palha não foi considerado. Pensamos que não teria mais importância, que tinha virado peça de museu.

Subestimamos a criatividade da mórbida e ardilosa indústria do tabaco. Sempre criativa na forma de iludir os desavisados. Nos últimos anos observa-se um fenômeno intrigante em diversos países como Estados Unidos, Nova Zelândia e Noruega, onde são comercializados os “roll-your-own cigarettes”. Esta forma de consumo chega a representar 50% das vendas na Noruega e 30% na Nova Zelândia. A popularidade é, em parte, explicada pelo fato de serem mais baratos que os industrializados. Em segundo lugar, eles são aclamados como saudáveis pelos produtores e promotores de venda. Pura ilusão. Mentira. Arapuca. De acordo com o Ministério da Saúde da Nova Zelândia, este tipo de cigarro tem maiores níveis de alcatrão que cigarros industrializados. Diversas outras fontes confirmam também que há mais nicotina nos palheiros que nos cigarros industrializados.

 Muitos jovens têm sido iludidos com uma sorrateira propaganda boca-a-boca de que o tabaco não industrializado é seguro por não conter produtos químicos (incrível como pessoas inteligentes possam acreditar neste tipo de engodo), pois é “natural”. Pronto, está aí a volta do cigarro de palha repaginado enchendo os cofres da santificada indústria de produtos naturais.

 Um aliado facilitador é a falta de regulamentação sobre produção e distribuição que propicia a venda legal ou ilegal, visível ou clandestina. O velho cigarro de palha agora não está na boca dos caipiras, mas na boca de um grande número de jovens da classe média urbana. Em algumas cidades brasileiras cerca de 30% a 50% dos cigarros vendidos em tabacarias já são palheiros. São mais de 30 marcas no mercado. Virou chique usar este “novo” produto “natural”.

Publicado por: Isabele Assunção, psicóloga TratBem.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/o-cigarro-de-palha-faz-mal-afinal/#

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Current month ye@r day *