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Alto custo social provocado por alcoolismo e tabagismo

De acordo com o cardiologista Cláudio Domênico, o tabagismo e o alcoolismo são doenças comuns, com alto custo para a sociedade e responsáveis por muitas mortes evitáveis.

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— O cigarro conta com milhares de substâncias tóxicas e pelo menos 70 cancerígenas — alerta. — O álcool é a quarta causa de mortes previsíveis nos Estados Unidos e está ligado a quase 75% dos acidentes de trânsito com morte no Brasil.

O cardiologista enumera medidas que devem ser tomadas para evitar o avanço do cigarro e do álcool. Ambos os produtos precisam ter maiores taxações e restrições severas à propaganda. Já os fumantes e alcoólatras não podem ser tratados como viciados. Em vez disso, merecem acolhimento da família e de amigos, cujo papel é incentivá-los a mudar seu estilo de vida.

Pesquisas recentes mostram que aproximadamente 65% dos fumantes dizem querer parar de fumar. Mais de metade declara ter tentado apagar o cigarro no ano anterior aos levantamentos. No entanto, apenas 3 a 6% conseguem tornar-se abstinentes sem ajuda profissional.

A pneumologista Cynthia Saad revela que o primeiro atendimento é trabalhoso. Muitas pessoas têm vergonha em informar detalhes como a frequência com que fumam, a quantidade de cigarros, se já tentou parar.

— O paciente deve demonstrar que, de fato, está engajado para tentar um tratamento — ressalta Cynthia. — Pode ser que falhe diversas vezes, e devemos avaliar por que isso aconteceu. Às vezes ele está indo bem e passa por uma situação que o abala, como ser demitido. Então, lidamos com o vício e o estado emocional. É muito importante que não se deixe abater, e o profissional deve ter jogo de cintura para não julgá-lo.

O operador de mercado financeiro Alexandre Almeida, de 53 anos, buscou tratamento contra o alcoolismo em 2010. Quando era mais jovem, bebia até 80 latas de cerveja e uma garrafa de uísque em um fim de semana.

— Cheguei a ser internado pelo meu irmão, mas ele me buscou no mesmo dia — recorda. — Logo depois procurei atendimento em uma clínica. Fiquei um mês só ouvindo histórias de outras pessoas, até me sentir à vontade para participar das discussões. Consegui me manter sóbrio até 2013, e desde então tive cinco ou seis recaídas. Quando isso acontece, fico arrasado. Depois de um gole, parece que voltei à estaca zero.

Almeida conversa semanalmente com uma psicóloga. Aprendeu muito sobre sua dependência, mas não sabe explicar como uma pessoa se torna alcoólatra:

— Ninguém tem ideia de quando isso acontece. Não existe uma data, um momento em que você percebe que beber moderadamente tornou-se exageradamente e, depois, um vício.

Chefe do Setor de Dependências Químicas da Santa Casa de Misericórdia, Analice Gigliotti sublinha que 17% dos brasileiros fazem uso problemático do álcool. A depressão é muito comum neste grupo.

— Cinco por cento da população nacional já tentou suicídio e, em 24% dos casos, o álcool estava envolvido nesta situação — conta. — A história da dependência é muito ligada ao preconceito, e isso afasta o paciente do tratamento. Muitos sinais mostram a contínua perda de controle e prejuízo social dessas pessoas, como a dificuldade para cumprir obrigações no trabalho, em casa e na escola, além da submissão a situações de risco físico.

Segundo Analice, a vontade de beber provoca estímulos que podem ficar entranhados no cérebro mesmo após anos de abstinência:

— O alcoólatra é aquela pessoa que não consegue ver mais graça na vida. É a pessoa que se isola para se sentir melhor.

Publicado por Isabele Assunção, psicóloga TratBem.

Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade/especialistas-alertam-para-alto-custo-social-provocado-por-alcoolismo-tabagismo-22141349

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